
E fez tudo parecer realmente uma grande brincadeira. Bolt pisou na pista com boné virado para trás, falando com os adversários como quem combina uma corridinha até ali o outro lado. Poucos segundos após a largada lá estava ele, na frente. Deu aquela olhadinha para o lado esquerdo só para se assegurar de que Yohan Blake tinha mesmo ficado para trás. Cruzou a linha de chegada com o dedo na boca, como se pedisse silêncio, e passou a fazer flexões logo depois. Levou o Estádio Olímpico ao êxtase. Parecia ter ficado mais cansado durante a interminável volta olímpica ao lado de Blake (19s44) e Warren Weir (19s84), seus compatriotas que completaram o pódio.- Foi o que vim fazer aqui. Fiz o que queria. Agora eu sou uma lenda. Estou na mesma categoria de Michael Johnson. E me sinto horando por isso porque cresci vendo-o quebrar recordes mundiais. Ele é um grande atleta. Eu não tenho nada a provar. Mostrei ao mundo que sou o melhor e, agora, só quero me divertir - disse.
- Os 200m foram mais difíceis do que eu esperava. Eu sabia que seria possível quebrar o recorde mundial, mas não estava rápido o suficiente quando saí da curva. Eu senti a tensão nas costas um pouco. Mas não vou esquecer este momento depois de uma temporada difícil para mim.
Aos 25 anos, o homem mais rápido do mundo ainda não encontrou rivais capazes de freá-lo. O corpo sim, vez ou outra consegue, graças a um problema crônico nas costas. Bolt se defende como pode, procurando sempre por colchões ortopédicos, como fez durante a aclimatação para os Jogos. Poucos meses antes da disputa, houve quem acreditasse que ele não iria bem exatamente por isso. Os adversários repetiam que seria possível batê-lo. Ainda mais depois que Blake o venceu nas seletivas jamaicanas. Estavam errados.
GLOBO ESPORTE
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